MEDELLÍN, COLÔMBIA - Com um povo de primeira e soluções urbanas criativas, a cidade deu uma rasteira no passado violento. Hoje é hospitaleira e cheia de vida cultural!




CONHEÇA A CIDADE DE "MEDELLÍN", COLÔMBIA
Medellín voltou às notícias no fim de 2016 por motivos óbvios: a tragédia com o avião da Chapecoense. Eu estava na sala de embarque do aeroporto de Guarulhos, a caminho da Colômbia, quando o acidente aconteceu. Nos dias seguintes, testemunhei a consternação entre os colombianos. 
As imagens do estádio em Medellín lotado de pessoas homenageando o time brasileiro são parte do melhor da Colômbia: o coração. A solidariedade está por trás do lema: “Un paisa no tiene amigos, un paisa tiene parceros“. Paisas são os colombianos da região de Antioquia, distrito onde fica Medellín. Tudo gente fina. E uma gente que mudou os rumos de sua cidade. 
A Medellín de 2017 em nada lembra a da série Narcos. É um lugar convidativo, onde parques e praças incentivam a vida ao ar livre, museus e restaurantes atiçam a vida cultural. Há excelentes cafés e um mundo de coisas para fazer. É a “cidade da eterna primavera” (temperatura média de 24°C) e da inovação, com sistema de transporte público moderno e opções de lazer que vão de comida típica e descanso em pueblos nas montanhas a esportes radicais e lições de tango. 
O metrô é limpo, organizado – e passa por estas curiosas cenas urbanas (John Coletti/Getty Images)
CIRCULANDO POR MEDELLÍN, COLÔMBIA
O Poblado é o bairro mais procurado por turistas, com fácil acesso ao Centro e à Zona Rosa, onde a vida noturna acontece. É a área mais gostosa da cidade, com alamedas arborizadas, lojas bacanas como a Galería Diseño, que trabalha só com designers colombianos, e a Caduto, com belos sapatos e acessórios de couro – ambas na Vía Primavera, a rua de butiques e cafés. 
É a parte mais cosmopolita de Medellín, mas tem o élan colombiano: o gosto naturalmente adocicado do café, os bordados ricos das bolsas típicas da tribo Wayuu e o colorido das frutas e flores. No Poblado está também a maior parte dos bons hotéis, como Diez, Dann Carlton ou Casa Victoria, e hostels simpáticos como o butique Casa Kiwi ou o mais popular Blacksheep. 
O Metrocable, transporte que leva a bairros mais altos e distantes (Carlos Mora/Glow Images)
Quem procura autenticidade não erra no 61Prado, casarão restaurado com pátio iluminado por velas, ótima base para explorar “el Centro” de Medellín. 
Mais plano e menos cheio de turistas que o Poblado, Laureles é boa opção para hospedagens estilo Airbnb. É uma área chique, com ótimos lugares para compras. Vá ao La Tienda Imaginario, para objetos de decoração, e à multimarcas Origen, para conhecer estilistas colombianos. 
Poblado, o bairro preferido dos turistas (Andres Duarte/Viagem e Turismo)
Belén é um bairro de classe média que já foi perigoso e, hoje, por causa dos baixos preços nos aluguéis, recebe muitos jovens e pequenas famílias. Tem um grande parque e pastellerias (que vendem pães e doces) de bairro como a Legiseth – prove os pães recheados com carne, queijos e vegetais. 
E La América é uma área residencial que faz divisa com Laureles, com parques e restaurantes simples como o Empanadas Santiamen e o Madrigal, um dos melhores para comida típica. 
Os ônibus coloridos, na Plaza Cisneros (Cyril/Getty Images)
Apesar de as linhas de ônibus, coloridos e às vezes com trilha sonora, cobrirem toda a cidade, é o metrô que os visitantes mais usam. É limpo, organizado, rápido – e todas as estações têm mapas gratuitos do sistema de transportes. Para trechos mais longos ou à noite, use táxis: são baratos e não têm bandeira 2. 
Uber também é comum na cidade. A topografia de Medellín não é a mais adequada para o pedal, mas ciclistas contam com uma rede de ciclovias que, apesar de curta, é bem organizada. O sistema de bikes Encicla é gratuito para visitantes em viagens curtas. 
As bolsas da tribo Wayuu nascem assim (Jason Rothe/iStock)
UM CAFEZINHO... 
Junto com o da Etiópia, do Quênia, da Indonésia e do Brasil, o café da Colômbia é considerado um dos melhores do mundo (veja mais na pág. 60). O Poblado é uma área perfeita para provar a bebida e tirar as suas próprias conclusões – o bairro tem vários lugares para marcar um papo. 
Cafeinômanos vão querer conhecer o Pergamino Café, premiado pela revista online Sprudge como um dos melhores cafés no mundo. Quem quiser aprender mais sobre a ciência e a arte da cafeteria encontra no El Laboratorio de Café o lugar ideal. 
A marca tem quiosques em alguns pontos da cidade, mas tente agendar uma visita ao laboratório, onde são feitas as torras, as provas e os testes para determinar acidez, doçura e outras características dos grãos. E há a boa e onipresente cadeia Juan Valdez, equivalente local do Starbucks. 
Olha o capricho, no Pergamino Café (Divulgação/Divulgação)
O CENTRO E O TANGO EM MEDELLÍN, COLÔMBIA 
A região central de Medellín é parecido com os centros velhos de São Paulo e do Rio. Edifícios comerciais, antigos palacetes transformados em prédios governamentais, muita gente nas ruas. Os bons museus de Medellín estão na área e dão conta da diversidade cultural da cidade. 
O Museu de Antioquia tem coleção permanente em 17 salas dedicadas à arte do país desde os tempos pré-colombianos, com muitas peças de Fernando Botero. Só o edifício, antiga Casa da Moeda, já vale a visita. Mesmo que você não tenha interesse nas formas generosas das esculturas do artista, tem de parar na Plaza Botero pra ver as 23 enormes obras de bronze que ele doou à cidade. 
A arquitetura labiríntica do Centro Comercial Palacio Nacional – shopping popular no centro (Jane Sweeney/Getty Images)
Do outro lado da rua está o Parque Berrío, pequeno e agitado, com ambulantes e artistas de rua. O Centro também é o lugar para vivenciar outra paixão local: o tango. Carlos Gardel morreu enquanto estava na cidade, em 1935, e Medellín abraçou o tango com fervor. Experimentar o gênero em lugares como o Malaga, salão que evoca a Medellín de antigamente, é um programão. 
A inconfundível escultura rotunda, claro, na Plaza Botero (Kike Calvo/Getty Images)
O VERDE EM MEDELLÍN, COLÔMBIA
O enorme Parque Arví, dentro da floresta nativa na região de Santa Elena, é escapada inevitável. Tem trilhas, borboletário, trechos de arvorismo e um mercado de produtos locais. A melhor forma de visitá-lo é usando o Metrocable. Parece um teleférico, mas é um sistema eficiente de transporte que alcança bairros distantes. 
A gôndola de vidro sobe a montanha, passando por cima de casas da Comuna 1 de Medellín. Em seus 4 quilômetros de extensão, você vê aos poucos a aglomeração urbana dando lugar a uma imensidão verde. Pra chegar lá, pegue a linha L a partir da estação Santiago Domingo (4 600 pesos colombianos cada trecho – uns 5 reais). 
O Parque Biblioteca España (Pilar Mejia/Grupo Keystone/Divulgação)
A cidade tem outros ótimos parques. O Jardín Botánico (metrô Universidad) é um respiro verde em que acontecem shows e festivais. O vizinho Parque Explora tem um dos maiores aquários da América Latina e atrações de ciência e tecnologia para crianças. E o Pueblito Paisa, uma caminhada de 20 minutos a partir do metrô Industriales, é uma réplica de um povoado no topo do Cerro Nutibara, no bairro Belén, com vista de 360 graus da cidade. 
O imenso aquário do Parque Explora (Divulgação/Divulgação)
COMER, COMER
A cozinha colombiana tem uma vigorosa influência da colonização espanhola e das populações indígenas. Os restaurantes servem uma mistura criativa e saborosa entre culinária da avó e gastronomia de autor, quase sempre com ingredientes como feijões, banana-da-terra, milho e queijo. 
O Queareparenamorarte (em Retiro, perto da cidade) é barato e bom para uma longa refeição informal, um lugar simpático onde já se sentaram Anthony Bourdain (apareceu no No Reservations!) e Ferran Adriá. 
Nos restaurantes tradicionais como o Hatoviejo provam-se comidas típicas, fartas e saborosas, como chorizos, chicharrones (um tipo de torresmo), morcillas, arepas (uma tortilla fofa de massa de milho), patacones (disco de banana verde frita), empanadas, quesillo (queijo branco, macio e salgado) e o hogao, um molho delicioso de tomate e condimentos. Espere gastar cerca de 30 000 pesos por prato, ou 32 reais. 
O prato típico de Antioquia é a bandeja paisa, prima distante e substanciosa do PF brasileiro, normalmente feito de arroz, feijão, carne moída, abacate, ovo frito, banana frita e chicharro. Dizem, os melhores estão nos pueblos ao redor da cidade, como o agradável Portón del Parque, em Santa Fe de Antioquia, e o La Fogata, favorito dos turistas em Guatapé. 
De sobremesa, prove a mazamorra (creme de milho), o arroz-doce ou as compotas de frutas nativas como o tomate de árbol (frutinha com cor e fomato de tomate e gosto de laranja kinkan). Procure a deliciosa manga verde gelada, servida com sal e limão como um sorvete, em copinhos de plástico, e vendida por ambulantes. Pode soar um pouco estranho, mas dê uma chance. 
Um bom passeio, menos turístico, porém ótimo para conhecer a variedade das frutas colombianas, é o Mercado Minorista. Se quiser circular e tirar fotos, faça isso pela manhã, quando é um pouco mais vazio. 
Se quiser um tour profissional, com direito a garfos, facas e explicações sobre o que está provando, procure o Exotic Fruits Tour, da Real City Tours – top 5 de rolês em Medellín no TripAdvisor. 
Até Anthony Bourdain aprovou os pratos do Queareparenamorarte (Divulgação/Divulgação)
E OUTROS PASSEIOS
Comuna 13, Medellín, Colômbia O Graffitour da Comuna 13 1 Comuna 13. Medellín, Colômbia Parece Blade Runner: na Comuna 13, escadas rolantes levam moradores favela acima 1 
Um efeito da série Narcos foi aumentar o interesse do público pela Hacienda Nápoles, antiga mansão de Pablo Escobar hoje transformada em um parque temático peculiar: você pode ver carros bombardeados e outras relíquias do narcotráfico. 
O Graffitour da Comuna 13 (Divulgação/Divulgação)
Numa tentativa de deixar esse passado de lado, o lugar virou um grande parque de diversões com zoológico, hotel, borboletário, piscinas (uma delas com um tobogã coberto por um enorme polvo que espirra água, construído por Escobar para a filha). 
Para conhecer outro lado da relação de Medellín com o narcotráfico, procure o Graffitour da Comuna 13, a maior das favelas de Medellín. O lugar foi um dos pontos essenciais na renovação da cidade. 
Na mobilidade, o sistema de escadas rolantes que leva as pessoas até o topo do morro virou um “case” de boas ideias no transporte público. Na revitalização, a maior parte das ações de música e arte é feita pela própria comunidade. É uma oportunidade enriquecedora de ver como Medellín virou o jogo. 
Parece Blade Runner: na Comuna 13, escadas rolantes levam moradores favela acima (Oscar Garces/Grupo Keystone/Divulgação)
EVENTOS FAMOSOS
O Festival Internacional do Tango– quando a cidade escancara seu amor pelo ritmo argentino –, na última semana de junho. Música também é o mote do Medejazz, o Festival Internacional de Jazz e Músicas do Mundo, com programação a partir de setembro. 
A Feria de las Flores, o festão da cidade (Oscar Garces/Grupo Keystone/Divulgação)
As flores são as estrelas do maior e mais emblemático evento da cidade, a Feria de las Flores, que dura dez dias e tem seu auge no Desfile de Silleteros, quando campesinos descem dos pueblos e entram na cidade (de 28 de julho a 6 de agosto). 
Medellín se ilumina com o Día de las Velitas, celebração tradicional, na noite de 7 de dezembro, que marca o começo das festas de fim de ano com velas alegrando ruas, praças, centros comerciais e janelas das casas. 
No Festival Internacional do Tango, colombianos declaram seu amor ao ritmo argentino (Divulgação/Divulgação)
DICAS DE INSIDER – CHECKLIST DE MEDELLÍN
Passar uma noite no hostel Casa en el Aire, no Cerro San Vicente, Abejorral – a três horas de ônibus de Medellín. É uma casa construída no topo de um penhasco enorme que oferece programas de aventura, como tirolesa, escalada, trilhas, ou tranquilos piqueniques na natureza. 
Visitar Jardín, pra mim, a cidade mais bonita de Antioquia. 
Passar um dia na colonial Santa Fe de Antioquia. 
Curtir a noite de Medellín ao redor do Parque Lleras. 
publicado na edição 257 da revista Viagem e Turismo (março/2017)

VALEU PELA VISITA - SEMPRE VOLTE


Fonte / Fotos = viagemeturismo.abril.com.br / Thymonthy Becker / 

ROTEIRO DE 07 DIAS POR PORTUGAL COM UM PULO EM SANTIAGO DE COMPOSTELA - Passando por cidades imperdíveis de Portugal e terminando na Espanhola Galícia




CURTA UMA VIAGEM POR PORTUGAL E TERMINANDO NA ESPANHA GALÍCIA
Partindo de Lisboa, essa viagem de sete dias passa por cidades imperdíveis do norte português e termina na espanhola Galícia
Vinhedo à beira do Rio Douro, em Portugal (Ogphoto/Getty Images)
DIA 1
Ponto de partida: Lisboa
Ponto de chegada: Coimbra
Percurso aproximado: 276 km
Castelos, cavaleiros, batalhas. Este roteiro começa com ares de contos de fada. A Autoestrada A1, seguida da A23 e da A13, leva a um dos lugares mais misteriosos do país, em Tomar, a cerca de 140 quilômetros de distância de Lisboa.
Erguido no ano de 1160 pela Ordem dos Cavaleiros Templários, em plena época das Cruzadas, o Convento de Cristo tem incríveis fachadas esculpidas em pedra, pátios, escadarias por vezes sombrias e uma impressionante capela dourada. Reserve duas horas para a visita, antes de pegar a IC9 e a N356 em direção a mais uma viagem no tempo, 45 quilômetros adiante.
O monumental Convento de Cristo, em Tomar (Stockphotosart.com/iStock)
O Mosteiro da Batalha, na vila de mesmo nome, começou a ser construído no século 14, logo depois da vitória de Portugal diante da Espanha na Batalha de Aljubarrota, que culminou com a independência do país.
Foram mais de 150 anos até a obra, que revela elementos góticos, manuelinos e renascentistas, ser concluída. O detalhe mais curioso e inusitado da construção, declarada Patrimônio Mundial pela Unesco, são as capelas inacabadas, abertas e sem teto.
O Panteão D. Duarte, capela sem teto do Mosteiro da Batalha (Hans Blosse/Getty Images)
Meros 15 minutos separam Batalha da vizinha Leiria pela A19. A vila tem um imponente castelo no alto de um morro, mas todas as atenções aqui se voltam para um restaurante que é uma verdadeira atração turística: o Tromba Rija, onde os menus são uma orgia em que desfilam praticamente todos e mais alguns pratos portugueses.
O último trecho de estrada leva até Coimbra, a 77 quilômetros via A1. A pedida é descansar até o dia seguinte na linda Quinta das Lágrimas, onde o hotel ocupa um palacete do século 18.
Antes do jantar, que pode ser no gourmet Arcadas ou no mais informal Pedro & Inês, vale passear sem pressa pelos 12 hectares de jardins que foram palco dos encontros secretos entre o príncipe D. Pedro e Inês de Castro, protagonistas de uma das histórias de amor mais famosas (e trágicas) do mundo.
A Quinta das Lágrimas, palco da trágica história de Inês de Castro e D. Pedro (Quinta das Lágrimas/Divulgação)
DIA 2
Ponto de partida: Coimbra
Ponto de chegada: Porto
Percurso: 133 km
Antes de cair na estrada, aprecie a vista da cidade antiga a partir das margens do Rio Mondego e vá conhecer uma das mais antigas faculdades do mundo, cujos primeiros registros datam de 1290.
Além dos belos edifícios e pátios, uma das atrações incontornáveis da Universidade de Coimbra é a Biblioteca Joanina, uma obra-prima do barroco em Portugal, com três andares erguidos entre 1717 e 1728.
A Joanina, em Coimbra, é das bibliotecas onde quase se cai de joelhos (Top Images/Getty Images)
Caso sobre tempo, deixe na manga a possibilidade de uma visita ao incrível Museu Nacional de Machado de Castro , que foi construído sobre a antiga cidade romana de Aemeni, repleto de galerias subterrâneas e um acervo variadíssimo de ourivesaria, cerâmica e escultura.
Saia da cidade pela A31, seguida da IC2, e já vá imaginando o que te espera para o almoço em Mealhada, a menos de meia hora de distância: um impecável leitão à moda da Bairrada – à pururuca, com a pele crocante e a carne que chega a derreter. O acompanhamento ideal é uma salada de laranjas e o leve espumante produzido nos vinhedos dos arredores.
Há vários restaurantes espalhados pela estrada, mas não perca tempo e vá direto ao imbatível Pedro dos Leitões, onde os fornos aquecidos por lenha de videira espalham um delicioso cheiro no ar.
A azulejaria hispano-mourisca (Visit Portugal/Divulgação)
Deixe a sobremesa para a próxima parada: Aveiro, pouco mais de 40 quilômetros adiante através da A1 e da N235. Para bom entendedor, duas palavras bastam: ovos moles.
O doce típico da cidade é um creme aveludado, envolvido por uma massinha que lembra uma hóstia, capaz de fazer esquecer, ainda que temporariamente, qualquer pastel de natas ou toucinho do céu.
O melhor cenário para a extravagância é o Centro da cidade, em que passa o Rio Vouga, coroado de barquinhos coloridos e cercado de confeitarias.
O Porto, destino do dia, está a 75 quilômetros pela A1. No coração do centro histórico, o moderninho The House é o hotel perfeito para explorar acidade a pé nos próximos dois dias. O hotel não dispõe de garagem, mas tem convênio com o estacionamento Faba Ribeira, na mesma rua, com diárias a 20 euros para hóspedes.
The House, perfeito para explorar o centro histórico de Porto (The House/Divulgação)
Para a hora do jantar, a menos de cinco minutos de caminhada, fica o DOP do Chef Rui Paula, que serve clássicos da culinária portuguesa em um ambiente moderninho.
No Porto, o pudim de leite com framboesa do DOP não é nada dispensável (DOP/Divulgação)
DIA 3
Percurso: o melhor do Porto
Dia de bater perna. Saindo do hotel, siga para a Zona da Ribeira, a poucos passos. Escolha um café para apreciar a vista da bela Ponte D. Luís I, construída no final do século 19 por um discípulo do francês Gustave Eiffel, e deixe-se ficar ao sabor do vento – e do desfile de barquinhos coloridos no Douro.
A poucos passos de distância fica a impressionante Igreja de São Francisco, erguida no século 14 e inteiramente revestida de talha dourada quatro séculos mais tarde – sem dúvida, um dos mais impressionantes exemplares do barroco português.
O edifício bem ao lado abriga o Palácio da Bolsa, uma bela construção do século 19 onde se destacam o Pátio das Nações, ladeado por brasões dos países que mantinham relações comerciais com Portugal na época; e o Salão Árabe, com decoração inspirada na Alhambra, de Granada, na Espanha.
Saindo de lá, atravesse o Jardim do Infante D. Henrique e pegue a Rua do Mouzinho da Silveira à esquerda e vire à direita na Bainharia. Siga adiante até chegar à Sé, a impressionante catedral que é uma das construções mais antigas do país.
A Ponte de D. Luís e o Rio Douro, ex-libris do Porto (Sean Pavone Photo/iStock)
De lá, tome o rumo da Estação de São Bento, a menos de cinco minutos de caminhada. Fica na próxima rua, a da Madeira, o Tapabento , um simpático restaurante de ares mediterrâneos, ideal para um almoço informal.
Depois do cafezinho, é hora de deixar a zona histórica e mergulhar no lado mais moderno da cidade. Aproveite para admirar o painel de azulejos de autoria do artista português Jorge Colaço, no hall da São Bento, e pegue o metrô até a Estação Casa da Música.
A visita ao projeto do superarquiteto holandês Rem Koolhaas vale a pena mesmo que seja apenas do lado de fora, mas a visita guiada à Casa da Música é interessantíssima – e paga-se 10 euros pela entrada, que inclui também o acesso à Fundação de Serralves, aonde se chega de Uber por uns 7 euros. O lugar abriga o melhor museu de arte contemporânea do Porto, um projeto do arquiteto Siza Vieira.
Encerre a noite na Baixa, em um dos mais novos restaurantes da cidade, o Vingança (Rua da Picaria, 84), onde se escolhe o prato principal (a vingança) pela temperatura: frio (caso do ceviche de garoupa com milho crocante), morno (como o ovo trufado com purê de aipo e cogumelos) ou quente (que tal o novilho assado com batatinhas e cebolas caramelizadas?).
O centro histórico de Guimarães (Nicolas Vollmer/Flickr)
DIA 4
Ponto de partida: Porto
Ponto de chegada: Braga
Percurso: 81 km
O dia é dedicado ao Minho, terra fria e famosa pela produção dos vinhos verdes portugueses, e o primeiro destino é uma das mais belas cidades medievais do país.
Guimarães fica a pouco menos de 60 quilômetros do Porto, pelas autoestradas A3 e A7, e, não bastasse ser o berço de Portugal, revelou-se um imperdível destino gastronômico graças a uma inauguração que tem dado o que falar.
Aberto em julho de 2016, no Largo do Serralho, A Cozinha é comandado por António Loureiro, vencedor em 2014 do principal concurso gastronômico português e com passagem pelo três-estrelas Azurmendi, no País Basco.
A proposta do chef, com receitas que variam segundo os ingredientes mais frescos no mercado, é a releitura de pratos do norte do país. É fundamental reservar com antecedência.
A tradicional rua de pedestres Souto, em Braga (Marek Stepan/Getty Images)
Os arredores do restaurante estão pipocados de belos edifícios dos séculos 15 ao 19, e rendem uma gostosa caminhada. Antes ou depois de se esbaldar à mesa, visite o Castelo, uma fortaleza do século 10 superbem preservada, onde nasceu o primeiro rei português, no século 12.
Na sequência, visite a Igreja de São Francisco, no Largo de São Francisco, a cerca de 3 quilômetros de distância, famosa por seu interior todo revestido de belos azulejos.
Braga, o próximo destino, está a apenas 25 quilômetros pela A11. Aproveite o final do dia para passear a pé pelo seu centro histórico, onde a grande estrela é a Sé Catedral de Braga, do século 12.
Dono de localização estratégica para o primeiro passeio na manhã seguinte, o Meliá Braga Hotel & Spa tem também um dos melhores restaurantes da cidade, o El Olivo, com opções que vão de fondant de alheira apeito de pato com arroz cremoso de embutidos.
O barroco da escadaria do Santuário Bom Jesus do Monte, em Braga (Shaun Egan/Getty Images)
DIA 5
Ponto de partida: Braga
Ponto de chegada: Ponte de Lima
Percurso: 72 km
Comece o dia no Santuário do Bom Jesus do Monte, a apenas cinco minutos do hotel, um dos principais destinos de peregrinação católica do país. Independentemente da religião, a construção, finalizada no início do século 19, é impressionante e vale a visita.
Para atingir o topo, onde fica uma basílica, existe uma via-sacra composta por diferentes lances de escadas, cercados de bonitos jardins (há, também, um funicular, considerado o primeiro da Península Ibérica).
Cerca de meia hora de asfalto pela Via A11 leva a Barcelos, terra do maior ícone português de todos os tempos nascido de uma lenda.
É possível encontrar diferentes versões do famoso galo no Centro de Artesanato (Rua D. Diogo Pinheiro, 25), que reúne trabalhos dos principais artistas locais.
Os galinhos de Barcelos, típico souvenir (Stephan Pennells/Getty Images)
O próximo destino é a vila mais antiga de Portugal, Ponte de Lima, a cerca de 50 quilômetros pela A3. O almoço pode ser na Taverna Vaca das Cordas, onde, para não errar, basta pedir os pratos mais famosos: o bacalhau à moda da casa, feito com broa, e, para finalizar, a torta de limão com suspiros e raspinhas.
Depois, a pedida é explorar o centro histórico, banhado pelo Rio Lima. Não deixei de passar pela Rua Beato Francisco Pacheco ou pelo Largo do Chafariz. E jamais considere ir embora sem cruzar a emblemática ponte que dá nome à vila – sua origem está ligada aos tempos do Império Romano, mais de 2 mil anos atrás.
É ponto de passagem de peregrinos que vão a Santiago de Compostela pelo caminho português. Para uma noite em grande estilo, considere o Carmo’s Boutique Hotel, instalado num casarão com belo jardim, piscina e spa. O jantar pode ser servido ao ar livre, e deve ser solicitado com antecedência.
A Ponte de Lima, emblemática construção romana que dá nome à cidade (HenriqueDRMartins/iStock)
DIA 6
Ponto de partida: Ponte de Lima
Ponto de chegada: Santiago de Compostela
Percurso: 154 km
Cerca de duas horas de estrada, via A3, em Portugal, e AP9, na Espanha, levam à reta final do percurso através das terras verdejantes da Galícia.
Destino de mais de 260 mil peregrinos por ano, Santiago de Compostela é bem mais que destino religioso. Além de dono de um belo centro histórico, trata-se de um dos melhores destinos gastronômicos do país e uma animada cidade universitária.
A soberba Catedral de Santiago de Compostela, ponto final dos peregrinos (Ken Scicluna/John Warburton-Lee/Getty Images)
Antes de se embrenhar pela cidade, vale fazer uma parada estratégica para o almoço numa verdadeira instituição local, o restaurante Dezaseis. O ambiente é simples e rústico, mas a comida é das melhores da região. A estrela da casa é o polvo grelhado (polpo a grella). Para acompanhar, comemore a chegada com um brinde dos ótimos vinhos Albariño, produzidos na região.
Reserve a parte da tarde para a principal atração local e seus arredores. A Praza do Obradoiro é o centro de tudo. Fica lá a entrada monumental da Catedral de Santiago, através da Porta da Glória, impressionante com as suas 200 esculturas que representam a bíblica história da salvação.
As origens do templo remontam ao século 11, e é possível ver resquícios do seu passado no subsolo através de ruínas arqueológicas. São também imperdíveis o Museo da Catedral, com acervo espalhado por quatro andares; o Palacio de Gelmírez, casa do bispado do século 12; e a subida ao topo da construção, que descortina lindas vistas da cidade.
As missas dos peregrinos acontecem todos os dias, ao meio-dia e às 19h30. Em dias santos e feriados religiosos, o espetáculo fica por conta do gigantesco incensário, ou bota-fumeiro, uma peça de mais de 50 quilos pendurada a 20 metros de altura, balançada por, pelo menos, oito homens entre as naves.
Quem puder passar a noite em grande estilo pode se hospedar bem em frente, no Hostal dos Reis Católicos, um belo edifício do século 16. Uma opção mais barata bem pertinho é o Costa Vella, recheado de convidativos jardins.
É um bom programa, de toda forma, conhecer o hostal e jantar por lá. O restaurante Especia serve bons pratos de frutos do mar sob arcadas de pedra.
As conchas de vieira e a cruz de Santiago (Turismo España/Divulgação)
DIA 7
Percurso: o melhor de Santiago de Compostela
Comece a manhã cedinho no Mercado de Abastos, fundado em 1873, e aproveite para aprofundar o conhecimento sobre os produtos da região – não deixe de provar o famoso queijo local, que tem um curioso formato de mama, e os mariscos fresquíssimos (a Galícia é conhecida como a terra dos melhores e mais exóticos frutos do mar na Espanha).
Depois, reserve o dia para caminhar sem pressa por ruelas e becos calçados de pedra e cheios de charme do centro histórico. Há belos edifícios e impressionantes igrejas, como a do Monasterio de San Martín Pinario (Praza da Inmaculada, 5).
As conchas de vieira estão por toda parte (Turismo España/Divulgação)
Quando bater a fome, prove as delícias do Auga e Sal (augaesal.com). Para começar, há um ótimo foie gras servido com figos grelhados ou o bogavante, uma espécie de lagosta, ao molho de laranja de entrada. Na sequência, a merluza ao molho de manteiga negra é uma das melhores apostas.
Deixe a sobremesa para uma confeitaria a menos de cinco minutos de caminhada. A Pastelería Mercedes Mora (Rua do Vilar, 50) prepara doces tradicionais e serve a melhor torta de santiago da cidade – espécie de bolo de amêndoas coberto de açúcar. Um grand finale.
As tortas de Santiago – um delicioso clássico da Galícia (Gregor Lengler/Laif/Glow Images/Reprodução)
QUANDO IR
Quanto mais ao norte de Portugal, mais rigoroso é o inverno. Isso significa que, a partir do Porto, pode fazer bastante frio entre os meses de outubro e março. De abril a setembro as temperaturas costumam ser agradáveis.
Braga recebe uma das maiores e mais bonitas procissões do país durante a Semana Santa. Em agosto, Santiago de Compostela costuma lotar.
Chuvas não chegam a assustar: a cidade fica especialmente mágica com suas calçadas de pedra refletindo a imponência de suas construções. As festas do apóstolo Santiago acontecem na última quinzena de julho, sendo que, no dia 24, acontece um mega espetáculo de projeções de luzes e fogos de artifício.
Texto publicado na edição 256 da revista Viagem e Turismo (fevereiro/2017)

VALEU PELA VISITA - SEMPRE VOLTE

Fonte / Fotos = viagemeturismo.abril.com.br / Thymonthy Becker / 


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