segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

ETERNAMENTE 12 ANOS - Se me for dado o direito de escolha




PARA SEMPRE 12 ANOS
(Thymonthy Becker com 08 anos)
Se me for dado o direito de escolha, eu quero as tardinhas, aproveitando os ventos de agosto, soltar papagaios, que eu mesmo faço, coloridos e com bambulinhas, dar toda a linha do tomador, que meu irmão faz, e vê-lo coroar no céu.
Se me for dado o direito de escolha, quero correr na frente dos meus 17 irmãos, quando minha mãe chamar para tomar café da tarde, para poder tentar pegar o pedaço maior daquela bisnaga de pão de sal, que minha mãe, todos os dias, divide em 18 pedaços, depois ficar medindo com eles, para ver quem pegou o pedaço maior.
(Thymonthy Becker com 11 anos)
Se me for dado o direito de escolha, quero ir puxando o carrinho de madeira que meu pai fez, para ir até o armazém da Rede, fazer as compras do mês. Ele sempre compra 60 kg de arroz, 60 kg de açúcar, 30 kg de feijão e muitas outras coisas. Na volta, não conseguir puxar o carrinho, que esta pesando demais, e ouvir meu pai dizer: “vamos moleza, força! Né homem não?”.
(Thymonthy Becker com 09 anos (Com pneu) e 10 dos seus 17 irmãos
Se me for dado o direito de escolha, quero ir com meu pai, pegar o trem na estação, viajar ao som da Maria-fumaça, olhando a paisagem, onde as árvores que parecem estar correndo, umas mais que as outras. Depois que chegar a Carmo do Cajuru, ir a pé, fazendo festa, ate a barragem, no caminho comendo “milho de grilo, pitanga” e qualquer outra fruta do mato, que meu pai diz que podemos comer. Na volta, andando naquela estrada de terra, ficar entediado porque Carmo do Cajurú parece que nunca vai chegar. E quando chegamos, ouvimos o chefe da estação dizer: “o misto está atrasado 3 horas”.
(Thymonthy Becker com 12 anos)
Se me for dado o direito de escolha, quero ficar da veneziana do quarto do meu pai, ver a chuva cair e me perguntar como ela chegou lá em cima, ouvir o som do vento passando pelas frestas da janela, ver a árvore que plantei no jardim ser balançada pelo vento, e saber que minha mãe vai xingar, pois o vento derruba muitas de suas folhas que são bem pequenas e ficar de coração apertado, quando ela diz “vou mandar seu pai cortar esta porcaria”.
Se realmente eu tiver direito a escolha, eu quero sempre, ter apenas 12 anos.

Conto de Thymonthy Becker


2 comentários:

  1. Ao Thymonthy Becker, muito justamente, o direito de escolha. Também queria.

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    1. Amigo, teoricamente até temos, mas só teoricamente

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